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Posts Tagged ‘Jornalismo’

Notável jornalista e comentador, Mário Bettencourt Resendes desempenhou com a mesma alma e amor à ética do jornalismo a sua função de Provedor dos Leitores do Diário de Notícias.

Teve a delicadeza de tratar um tema que levantei no seguimento de uma peça no DN sobre cartas anónimas no INEM. Não tendo qualquer interesse, directo ou indirecto no INEM ou no ministério da Saúde, a abordagem feita pela Lusa e pelo DN suscitou-me inquietas questões de deontologia.

Acabou por ser um exercício de reflexão para o jornal e para a própria Lusa, conduzido com a finura, sensibilidade e elegância que caracterizou este grande profissional.

Em nome dos que amam a liberdade e o jornalismo sério, obrigada Mário Bettencourt Resendes.

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Os novos modelos de negócio que os orgãos de comunicação social desesperadamente procuram para enfrentar a crise apontam para a sua transformação em agências de info-comunicação. As actividades complementares como fonte de receita entram no universo das relações públicas. Será que a garantia de uma “chinese wall” entre informação e comunicação serão suficientes para não acabar de vez com a credibilidade dos media? Dois casos recentes são sinais preocupantes.

Na passada semana, a agência noticiosa espanhola EFE anunciou uma nova linha de negócio. Na prática a venda de serviços de agências de comunicação. Segundo o site espanhol PR Noticias e citado pela Briefing, a EFE passa a oferecer às empresas a possibilidade de aparecer nos media através de eventos por elas patrocinados, onde a EFE se encarrega de produzir “peças jornalísticas”em que a imagem dos patrocinadores aparece “as vezes suficientes”. Estas “notícias” são depois vendidas às centenas de orgãos de comunicação social que recorrerem às produções da agência noticiosa.

A imediata questão deontológica que se levanta foi antecipadamente acautelada pelo presidente da EFE Alex Grijelmo, que assegurou haver uma separação clara entre os serviços de informação e os serviços de comunicação, sem explicar exactamente como.

As razões, está bom de ver, são a rentabilização dos meios humanos e materiais de que a agência dispõe e é “um exercício de responsabilidade económica, mas também de visão do futuro face às mudanças que vive o sector da comunicação social”, conforme se apressou a concordar o presidente da Dircom, a associação espanhola de directores de comunicação. Que se saiba, ainda não houve reacção da associação das agências de comunicação e relações públicas.

No Sábado, o economista Ricardo Reis, analisa na sua coluna no i a crise dos jornais, essencialmente derivada da expansão da web e da impossibilidade de evitar o seu consumo de forma gratuita. Poucos são os leitores dispostos a pagar o verdadeiro valor (custo) da produção jornalística de qualidade.

A análise é basicamente correcta e introduz o conceito de bem não-rival como perspectiva. Na analogia com a indústria discográfica (outro sector de bens não-rivais) as soluções propostas por Ricardo Reis são aquelas que, na realidade, temos vindo a assistir em jornais de referência, e em especial nos meios económicos: a promoção de actividades complementares como a organização de conferências e eventos, a produção de programas de televisão e… pois, a consultoria de imagem.

Indaguei o professor sobre o conceito que estaria a aplicar ao termo “consultoria de imagem”. Apesar de ainda não ter recebido resposta, acredito que não esteja longe do modelo de negócio avistado pela EFE.

Sinais preocupantes para ambos os sectores, o do jornalismo e o da consultoria de comunicação. Para lá das questões de ética e deontologia, são competências e marcas de duas profissões próximas mas distintas, que se vão certamente perder depois de tantos anos de luta pelo reconhecimento de cada uma.

Adenda: O Prof Ricardo Reis respondeu à minha questão, via e-mail, e autorizou a publicação da sua resposta, que a seguir se transcreve ((Nota: Manteve-se a grafia original, obviamente digitada sem teclado português)

Concordo com tudo o que escreveu, e duvido que tenha muito a acrescentar. Existem concerteza conflitos eticos complicados, mas parece-me que nao sao completamente intransponiveis. Por exemplo, nos bancos de investimento na ultima decada tornou-se pratica algumas divisoes venderem produtos a clientes, outras servirem como intermediarios, e outras ainda fazerem investimentos em nome da empresa.
Por exemplo, o mesmo banco por vezes esta a aconselhar duas empresas num processo de fusao, enquanto que outra divisao do banco serve como “broker”  na compra de accoes dessas empresas por parte de clientes com carteira no banco, e uma outra parte ainda gere a propria carteira de
investimentos do banco que pode incluir as empresas em causa. As diferentes divisoes estao separadas, e existem uma serie de controlos internos para impedir que informacao privilegiada passe de uns para
outros, enquanto que ao mesmo tempo podem usar alguma da expertise conjunta no mercado de financas e dividir custos fixos. Isto leva ocasionalmente a problemas serios e acusacoes de fraude que se provadas
conduzema  punicoes severas, mas e’ um sistema que, pior ou melhor, tem funcionado e trazido muitos lucros ao sistema financeiro.
Para dar um exemplo aplicado aos jornais, imagine que a companhia que detem o jornal tinha uma divisao, num edificio separado da redaccao, mas com acesso ao arquivo do jornal, ‘as suas fontes e contactos, ‘a rede de distribuicao, e com pessoas com alguns anos de experiencia no jornal.
Imagine entao uma grande empresa que quer preparar a sua assembleia-geral e em que o conselho de administracao quer comunicar a sua mensagem aos accionistas antes da reuniao. Posso ver o jornal a
vender os servicos de gerir essa comunicacao. Por outro lado, imagine uma empresa que quer distribuir um folheto gratis ou uma comunicacao que alcance muitos consumidores. Uma forma eficaz de o fazer e’ mudar os canais de distribuicao dos jornais: alias assim acontece com os suplementos de publicidade do jornal. Mas, poprque nao a tal seccao do jornal ajudar a empresa a compor esse folheto, desde ajuda na composicao dos textos, assim como num arranjo grafico apelativo.


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Foto de Luciano Alvarez (Público) via blog "31 da Sarrafada"

O “acontecimento” mais interessante do congresso social-democrata foi a inesperada “guerra” que estalou entre jornalistas e bloggers. O novo presidente do PSD, num gesto de “modernidade” e em reacção ao anterior congresso onde os blogs não foram credenciados, resolveu promover uma reunião apenas com escritores da blogoesfera.

As reacções de jornalistas, alguns com décadas de cobertura de congressos e circuitos da carne assada, não se fez esperar, como revelaram este tuite e este.

Este assunto levanta, pelo menos, duas questões interessantes: Deverão os políticos olhar para os blogs e as redes sociais com media prioritários? E, poderão os bloggers equiparar-se a jornalistas?

Sobre a primeira questão, penso definitivamente que sim. Embora seja absurdo, quando os meios tradicionais ainda representam uma força cujo melhor exemplo é o recurso que os blogs e o twitter fizeram da televisão durante o congresso, hostilizar esses mesmos media. O grande desafio da comunicação é, precisamente, saber trabalhar com as duas realidades.

Sobre a segunda questão, parece que os bloggers em Portugal ainda não se assumem como jornalistas, pelo menos estes e estes. Essa não é, contudo, a opinião no mais maduro mercado americano, conforme já se deu nota aqui. Um recente estudo da PR Week revelou que 52% dos bloggers norte-americanos se consideram jornalistas.

Esta é um questão altamente controversa e as reacções negativas reportam-se sobretudo à questão profissional, aos códigos de conduta e à responsabilidade. Requisitos que os jornalistas têm de respeitar e os bloggers, para já, não.

Posto desta forma, é verdade. Mas trata-se apenas de uma questão de tempo e de forma. A audiências e a influência dos bloggers é crescente e, tal como os jornalistas, são capazes de difundir informação (e opinião?) rapidamente.

A questão da qualidade e da credibilidade, tal como se coloca aos jornalistas, é, como em tudo, uma questão de selecção natural. Os bons bloggers rapidamente encontrarão a necessidade de serem sérios, rigorosos e autênticos para ganharem a confiança dos seus leitores.

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Uma das minhas colaboradoras, formada no ISCSP, comentou hoje, com satisfação,  o “salto de qualidade” e afirmação a sua antiga escola.

De facto, temos acompanhado as iniciativas do Núcleo de Ciências da Comunicação e, da oferta que conheço no mercado português, a qualidade dos temas, programas e oradores do ISCSP, resulta um nível superior de interesse e oportunidades que os profissionais de comunicação podem – e devem – aproveitar.

Pensado primariamente para os seus alunos (um luxo), os eventos do ISCSP procuram trazer o melhor do mundo profissional para o mundo académico. Mas, é bom dizê-lo, traz também aos profissionais o acesso a experiências e contactos com outros profissionais. Num momento de crise, eis uma oportunidade para empresas e comunicadores investirem na sua formação.

aqui referimos um interessante seminário sobre marketing de turismo e marketing de luxo a que tivemos oportunidade de assistir.

Agora, o ISCSP brinda–nos com um cartaz de luxo nas “Jornadas da Comunicação 2010”. Deixo-vos aqui o programa. E deixo os meus parabéns à  organização na pessoa de Prof. Raquel Ribeiro, grande dinamizadora da escola e autora de um blog sobre marketing e comunicação, aqui referenciado no lado direito.

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A maioria dos bloggers já se consideram jornalistas. O inquérito “2010 PRWeek/PR Newswire Media Survey”, que abrangeu 1568 profissionais dos media “tradicionais” e “não tradicionais” e 1670 profissionais de Relações Públicas nos Estados Unidos, revelou que 52% dos bloggers se equiparam a profissionais de comunicação social. Segundo o estudo, um importante crescimento desde o ano passado, em que apenas um em cada três partilhavam esta opinião.

Se bem que, na realidade, ainda só 20 por cento dos bloggers reconheçam que a maior parte do seu rendimento deriva da sua actividade na blogoesfera. Apenas um crescimento de 4% em relação a 2009.

Do total dos inquiridos, o uso de blogs e redes sociais para pesquisa tem aumentado; mas há uma grande diferença nessa utilização entre bloggers e jornalistas dos media tradicionais. Enquanto 91% dos bloggers e 68% dos jornalistas online usam blogs “sempre” ou “às vezes” para pesquisa, apenas 35 por cento dos repórteres de jornais e 38% dos jornalistas de revistas off-line admitem recorrer às novas plataformas.

A mesma discrepância verifica-se no que toca ao uso de redes sociais para investigação.No geral, 33 por cento dos inquiridos dizem usá-las, enquanto os bloggers revelam um uso superior (48%) aos jornais e (31%) e revistas impressas (27%).

Se considerarmos o Twitter, o contraste ainda é maior: 64% dos bloggers e 36% dos jornalistas online usam o twitter como ferramenta de trabalho. Esta percentagem baixa para 19% dos jornalistas de jornais e 17% das revistas.
No que respeita ao uso de “tuites” (posts do Twitter) nos artigos, apenas 19 a 20% dos jornalistas dos media tradicionais o fazem.
Nos Estados Unidos, já 55% dos bloggers e 42% dos jornalistas de meios online usam posts do Twitter. E, surpreendentemente, 48% das notícias de televisão!

Creio que um estudo semelhante ainda não tenha sido feito em Portugal. Embora as percentagens possam variar (a indústria dos blogs e o jornalismo online estará num estádio ainda emergente em Portugal), estou em crer que as tendências registadas no estudo da PR Week  não estarão longe de uma realidade próxima em Portugal e nos mercados europeus em geral.

Nota: este post foi inicialmente publicado em Jornalistas de Sofá.

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Têm surgido diversas sondagens, opiniões e comentários sobre o crescente papel das Relações Públicas na produção de conteúdos para os media. Num sentido tendencialmente pejorativo, fala-se de “spin nas notícias”, deixando alguns autores insinuar que os profissionais de RP formatam informação à sua medida e que esta é cegamente replicada pelos jornalistas. A conclusão simplista é que cada vez menos devemos acreditar naquilo que lemos, ouvimos ou vemos.

Esta questão é muito interessante porque na realidade põe em causa várias profissões: os profissionais de relações públicas (vulgo assessores de comunicação) e os jornalistas, mas também todos aqueles que produzem e são fontes de informação, como especialistas, políticos, polícias ou cientistas. Não é pois com certeza a fonte que determina a credibilidade das notícias.

Outro aspecto muito relevante desta questão são os custos da informação. Num aceso debate ontem no Twitter, o director do Expresso dizia “Conteúdos fiáveis custam dinheiro”. Não é pois de admirar que os estudos – da Austrália aos Estados Unidos – mostrem que apenas entre 5 a 15 por cento das notícias são desencadeadas por pura investigação jornalística. Todo o resto vem das mais variadas fontes. São os custos, claro, para uma indústria que está desesperadamente à procura de um novo modelo de negócio.

No caso do profissional de comunicação e relações públicas (interno à organização ou de uma consultora), não é por ele ter objectivos concretos no fornecimento de uma informação que a torna falsa ou enviezada. O que pode acontecer – acontece cada vez mais – é a falta de tempo dos jornalistas (e outros distribuidores de informação, como os bloggers) para aprofundarem as matérias ou até mesmo para confirmarem ou confrontarem as histórias que lhes são contadas.

Tal pressupõe que ambas as profissões observem as mais elementares regras de uma relação win-win. O profissional de comunicação e relações públicas tem como dever deontológico não falsificar informação e o jornalista tem o dever de exigir a fiabilidade dos factos e, se se sentir “manipulado” ou “enganado”, confirmar, cruzar ou desprezar essa informação.

Se as Relações Públicas “conduzem a agenda dos media”, é porque os bons profissionais fazem o seu trabalho, pesquisando, estudando tendências, preparando e fornecendo boas matérias para os jornalistas. Isto é bom para estes e para as suas empresas em dificuldades.

O que para ambos é fundamental, é rejeitar liminarmente, e sem pudores,  a teoria do “spin” como base das suas respectivas missões. É mais, portanto, o que os une do que aquilo que os separa.

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O arigo de hoje de João Adelino Faria  no Diário Económico constitui uma corajosa declaração de um profissional de comunicação sobre a ilusão da informação que diariamente nos entra porta (televisão) dentro.

A propósito da Comissão de Ética no Parlamento, transmitida ao que parece com elevado share na AR TV e outros canais, JA Faria tece várias considerações sobre os efeitos nefastos dos directos televisivos. Como profissional experiente, ele sabe que “Muitas das convicções que algumas pessoas defendem e dizem acreditar antes do directo, passam, em segundos, a ter uma versão completamente diferente assim que começa a transmissão televisiva.”

Esta realidade anula a presunção da “verdade” que a televisão pretende mostrar (assistimos hoje a simples cidadãos a exibirem verdadeiras performances de actores, incluindo “remakes”…) e que molda, definitivamente, crenças e atitudes de toda uma população.

José Adelino vai ainda mais longe quando, referindo-se concretamente à Comissão de Ética e duvidando da sua utilidade na busca da verdade, constata aquilo que é  mais mortal para duas nobres profissões : assistir a “alguns deputados a fazer de jornalistas e jornalistas a comportarem-se como políticos”.

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