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Blogs e ética

As conversas são como as cerejas e cá volto eu ao tema. Mas as questões de ética são um dos meus campos de interesse e o facto praticamente estabelecido que os bloggers não estão sujeitos a códigos de ética ou deontológicos é mais um daqueles temas que acredito que vão evoluir.

Reportando-me mais uma vez à realidade norte-americana, onde já vimos que os blogs são verdadeiros media e muitos bloggers se equiparam a jornalistas, deparei-me com o famoso colunista e blogger do New York Times, David Pogue e a sua “Note about Ethics and Disclosure“. Não é o facto de não ser jornalista que impede Pogue de declarar os seus interesses e de seguir princípios no que respeita à cobertura que faz de temas e produtos, incluindo não aceitar ofertas das marcas e empresas e chega ao ponto de não deter acções de companhias sobre as quais escreve.

Eu diria que este código é mais restritivo que o de muitos jornais. Para não falar do de colunistas.

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Como o post anterior gerou reacções homónimas, do Rodrigo Saraiva e do Rodrigo Moita de Deus, junto apenas mais uma reflexão à de ontem.

Não querendo fazer “rodriguinhos” ;), acho que neste momento todos temos razão.

Blogging não é, assumidamente, jornalismo, nem os jornalistas são comunicação social.

Apenas me parece que a questão não pode ser tão simplificada como o querem crer os dois ilustres colegas. A questão levanta-se sempre que surgem as questões formais, como a de deverem os bloggers ser credenciados ou não em determinados eventos ou se devem ter um tratamento diferenciado dos jornalistas.

Que os blogs são media, vulgo social media, sem dúvida. Mas alguns pretendem apenas falar para o umbigo ou para um número restrito de fanáticos, numa lógica de groupthinking, tomando o conceito emprestado de Jorge Nascimento Rodrigues. Outros têm vastas audiências e variados públicos, e podem ter um papel tão ou mais influente que os jornalistas dos “outlets tradicionais”, mesmo na produção de informação nova (o recente lançamento do Activo Bank foi exemplo disso).

A questão que se levantou no congresso do PSD é paradigmática de como é difícil navegar nestas linhas tão finas. Pergunto-me, no caso concreto, se não teria feito mais sentido Pedro Passos Coelho ter promovido uma “media conference”, em vez de um “encontro com bloggers” e “nenhuma conferência de imprensa” sem traçar distinções que podem roçar o ridículo (e arriscado, para quem está a iniciar o seu estado de graça).

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Foto de Luciano Alvarez (Público) via blog "31 da Sarrafada"

O “acontecimento” mais interessante do congresso social-democrata foi a inesperada “guerra” que estalou entre jornalistas e bloggers. O novo presidente do PSD, num gesto de “modernidade” e em reacção ao anterior congresso onde os blogs não foram credenciados, resolveu promover uma reunião apenas com escritores da blogoesfera.

As reacções de jornalistas, alguns com décadas de cobertura de congressos e circuitos da carne assada, não se fez esperar, como revelaram este tuite e este.

Este assunto levanta, pelo menos, duas questões interessantes: Deverão os políticos olhar para os blogs e as redes sociais com media prioritários? E, poderão os bloggers equiparar-se a jornalistas?

Sobre a primeira questão, penso definitivamente que sim. Embora seja absurdo, quando os meios tradicionais ainda representam uma força cujo melhor exemplo é o recurso que os blogs e o twitter fizeram da televisão durante o congresso, hostilizar esses mesmos media. O grande desafio da comunicação é, precisamente, saber trabalhar com as duas realidades.

Sobre a segunda questão, parece que os bloggers em Portugal ainda não se assumem como jornalistas, pelo menos estes e estes. Essa não é, contudo, a opinião no mais maduro mercado americano, conforme já se deu nota aqui. Um recente estudo da PR Week revelou que 52% dos bloggers norte-americanos se consideram jornalistas.

Esta é um questão altamente controversa e as reacções negativas reportam-se sobretudo à questão profissional, aos códigos de conduta e à responsabilidade. Requisitos que os jornalistas têm de respeitar e os bloggers, para já, não.

Posto desta forma, é verdade. Mas trata-se apenas de uma questão de tempo e de forma. A audiências e a influência dos bloggers é crescente e, tal como os jornalistas, são capazes de difundir informação (e opinião?) rapidamente.

A questão da qualidade e da credibilidade, tal como se coloca aos jornalistas, é, como em tudo, uma questão de selecção natural. Os bons bloggers rapidamente encontrarão a necessidade de serem sérios, rigorosos e autênticos para ganharem a confiança dos seus leitores.

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A maioria dos bloggers já se consideram jornalistas. O inquérito “2010 PRWeek/PR Newswire Media Survey”, que abrangeu 1568 profissionais dos media “tradicionais” e “não tradicionais” e 1670 profissionais de Relações Públicas nos Estados Unidos, revelou que 52% dos bloggers se equiparam a profissionais de comunicação social. Segundo o estudo, um importante crescimento desde o ano passado, em que apenas um em cada três partilhavam esta opinião.

Se bem que, na realidade, ainda só 20 por cento dos bloggers reconheçam que a maior parte do seu rendimento deriva da sua actividade na blogoesfera. Apenas um crescimento de 4% em relação a 2009.

Do total dos inquiridos, o uso de blogs e redes sociais para pesquisa tem aumentado; mas há uma grande diferença nessa utilização entre bloggers e jornalistas dos media tradicionais. Enquanto 91% dos bloggers e 68% dos jornalistas online usam blogs “sempre” ou “às vezes” para pesquisa, apenas 35 por cento dos repórteres de jornais e 38% dos jornalistas de revistas off-line admitem recorrer às novas plataformas.

A mesma discrepância verifica-se no que toca ao uso de redes sociais para investigação.No geral, 33 por cento dos inquiridos dizem usá-las, enquanto os bloggers revelam um uso superior (48%) aos jornais e (31%) e revistas impressas (27%).

Se considerarmos o Twitter, o contraste ainda é maior: 64% dos bloggers e 36% dos jornalistas online usam o twitter como ferramenta de trabalho. Esta percentagem baixa para 19% dos jornalistas de jornais e 17% das revistas.
No que respeita ao uso de “tuites” (posts do Twitter) nos artigos, apenas 19 a 20% dos jornalistas dos media tradicionais o fazem.
Nos Estados Unidos, já 55% dos bloggers e 42% dos jornalistas de meios online usam posts do Twitter. E, surpreendentemente, 48% das notícias de televisão!

Creio que um estudo semelhante ainda não tenha sido feito em Portugal. Embora as percentagens possam variar (a indústria dos blogs e o jornalismo online estará num estádio ainda emergente em Portugal), estou em crer que as tendências registadas no estudo da PR Week  não estarão longe de uma realidade próxima em Portugal e nos mercados europeus em geral.

Nota: este post foi inicialmente publicado em Jornalistas de Sofá.

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