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Archive for the ‘Reputação’ Category

A fechar um ano de grandes (r)evoluções na área da comunicação e das Public Relations, o caso Ensitel trouxe muito food for thought. Que ainda vai alimentar muito artigo em 2011.

Para quem não leu, deixo aqui o meu pequeno texto de opinião na Briefing.

Boas entradas aos nossos leitores, para o ano cá estaremos. Com boas novidades.

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Um artigo publicado ontem no “Diário de Notícias”, assinado pelo produtor e profissional de comunicação José Nuno Martins, suscitou veementes e acaloradas reacções na blogoesfera, designadamente espaços de opinião de jovens profissionais de Comunicação e Relações Públicas, como o Rodrigo Saraiva ou o Rui Calafate.

A atentar na veracidade do relato de JNM, da qual não tenho quaisquer razões para duvidar, o professor Adriano Duarte Rodrigues, eminente e reconhecido catedrático, terá tecido insólitas e ofensivas considerações sobre a profissão de Relações Públicas.

Atribuiremos a verrinosa e incontida verve a uma hora menos feliz do professor, a quem a comunidade académica deve a introdução da Comunicação, como área científica, na universidade pública portuguesa.

Não deverá esta nuvem ser tomada por Juno, pois a comunidade académica é hoje constituída por excelentes estudiosos e defensores desta disciplina e dos seus praticantes.

É pois o momento de relembrar que o Código de Conduta do Gestor de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, a base orientadora proposta pela APCE para o exercício desta actividade profissional,  foi elaborado por um grupo, do qual fiz parte, constituído por profissionais de relações públicas e académicos.

O desenvolvimento da profissão, a par da formação, hoje exigida ao longo de toda a vida, depende de bons profissionais e de bons professores, que acreditem na importância e responsabilidade crescente das relações públicas. Felizmente, temos abundância de ambos em Portugal.

A melhor resposta que podemos dar a ameaças à reputação da profissão – e elas vêm de muitos lados, incluindo no próprio sector – é exercê-la com convicção e dignidade, assumindo os valores e deveres especiais da sua prática.

É sobre os princípios enumerados no Código de Conduta que profissionais, estudantes e académicos devem reflectir.

Termino com uma citação de Klaus Schwab, fundador do World Economic Forum, e partilhada pela Professora do ESCS e minha colega no Conselho Consultivo e de Ética da APCE, Mafalda Eiró-Gomes: “Public relations [has] become even more crucial … provided global and other issues are addressed in the framework of all stakeholders.”

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Acabam de ser revelados os resultados do European Communication Monitor 2010, apresentados a semana passada em Bruxelas. O inquérito foi realizado em 46 países europeus com 1955 participantes, incluindo profissionais de comunicação portugueses.

Entre as várias conclusões, importantes para a auto-avaliação e caminhos de progressão dos profissionais de comunicação organizacional, destaca-se:

– os Departamentos de Comunicação são percepcionados como excelentes, pelos próprios responsáveis,  quando são capazes  envolver stakeholders (85,8%), mobilizar pessoas (82,1%) e influenciar processos de gestão (81,8%)

– 72,1% dos profissionais de comunicação consideram que ajudam a atingir os objectivos de negócio através da criação de intangíveis como a marca, a reputação e a cultura organizacional.

– 75,5% dos profissionais de comunicação consideram que  são vistos como influenciadores de decisão pelo top management

– Comunicação Interna e Gestão da Mudança (+7,3%), Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa (+9,9%) e Personal Coaching e Formação (+9,6%) são as áreas de maior crescimento no horizonte de 2013

– Media sociais (+37%), Online media (+19,1%) e Comunicação online (+13,3%) representam os canais ou instrumentos de comunicação de maior crescimento.

Refinando um pouco a análise, percebemos que os profissionais de comunicação ainda têm a percepção que o seu foco é no apoio à estratégia usando actividades de comunicação, mas em menor percentagem se sentem responsáveis pela definição dos objectivos organizacionais, acrescentando a dimensão da comunicação à formulação da estratégia. Há, como dizem os autores do estudo, pouco “inbound”. Os profissionais de comunicação são sobretudo “boundary-spammers”, isto é falam e ouvem para fora da organização . Falam pouco para dentro da organização.

Assumem-se portanto mais como facilitadores de estratégias do que propriamente “business advisors”. Escusado será dizer que são os consultores e os profissionais das agências/consultoras de comunicação o segmento que mais se sente influenciador e participante nas estratégias das organizaçãoes. Contudo e no geral, os profissionais sentem que o seu papel de influenciador e conselheiro de confiança tem vindo a crescer.

Na perspectiva da evolução profissional, não deixa de ser curioso e significativo que, logo a seguir à formação, o networking seja encarado como uma das vertentes mais importantes no desenvolvimento pessoal e profissional. Está assim mais que justificado o crescente interesse dos profissionais pelo associativismo – em Portugal, os profissionais juntam-se em torno da APCE – e, também, pelos encontros mais informais que estão a ter grande adesão, os PR After Work dinamizados pelo Rodrigo Saraiva.

Agradeço ao Rui Martins, Coordenador Regional para Portugal da EACD, a disponibilização do estudo.

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A prestação da selecção francesa neste Mundial, para além de ter ferido de morte o orgulho dos franceses, baixou uns quantos pontos a cotação da marca França.

O futebol, como todos os eventos globais e mediáticos, é hoje tão importante no branding e na reputação dos países como a sua imagem na cultura, na economia ou na política.

Num mercado global altamente competitivo, todos os locais (cidade, país, destino turístico) competem por turistas, visitantes, investidores, investigadores, artistas, residentes e todo e qualquer  recurso que acrescente valor e poder.

A par dos governos locais e nacionais, das associações empresariais, das empresas e das marcas multinacionais, as pessoas (artistas, atletas, celebridades, emigrantes) são importantes agentes da promoção de um local, de um país.

A selecção gaulesa, do treinador aos jogadores, foi desatrosa do princípio até ao último minuto do último jogo, quando Domenech se recusou a apertar a mão do seu congénere sul-africano. Foram péssimos embaixadores da sua marca-país.

Não é pois de admirar que o assunto se tenha tornado um tema de estado, com Sarkozy, diz-se, a convocar o Conselho de Estado e aassumi-lo como uma verdadeira gestão de crise.

A França tem vindo a perder, paulatinamente, o seu capital-imagem, como país na vanguarda cultural e como potência económica e tecnológica. Ainda é, mesmo assim, um dos países europeus mais visitados e ainda é uma referência para alguma intelectualidade.

Mas este episódio, vivido, glosado e ridicularizado à escala mundial, é um dos maiores rombos na imagem da França, que vai exigir muitos milhões de investimento em branding (não só para turistas) para recuperar. Para não falar dos milhões que, pressinto, os patrocinadores vão reclamar por danos, de facto, irreparáveis.

Nas associações conceptuais dos países, a França é geralmente associada às ideias de lifestyle, moda, perfume, vinhos. Esta associação  foi manchada e prejudica, inclusive, as marcas associadas a estes conceitos.

Asim continue pois a selecção portuguesa a conter eventuais perspirações de balneário e arrufos de prima-donas (que Deco esboçou) e este Mundial já fez mais pelo país que dez campanhas do Turismo Portugal (que, espera-se, esteja a alavancar esta boa onda da marca lusa).

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Hugo Chávez, depois de surpreender o mundo (e assustar meio outro) com a abertura de uma conta no Twitter, é hoje notícia por ter recrutado 200 pessoas para gerir essa conta. As reacções, em geral, são de espanto e gargalhada geral.

Questões políticas à parte (diz que abraçou o Twitter como mais “uma arma da revolução”), Chávez entendeu muito bem o segredo das redes sociais: o engagement e o diálogo.

Contrariamente a várias celebridades que se limitam a acumular milhares ou milhões de seguidores e debitar de vez em quando umas frases, sem qualquer ou muito pouca interacção com o público, Chavez decidiu responder a todos os que se lhe dirigem. As mensagens são diversas, mas a maioria parecem ser apelos para casos pessoais, como este ou mensagens de apoio (também de críticas, naturalmente).

Com cerca de 243 mil seguidores nesta data e 50 mil mensagens recebidas nas duas primeiras semanas, o ““Presidente de la República Bolivariana de Venezuela. Soldado Bolivariano, Socialista y Antiimperialista” (é esta a sua biografia no Twitter) prometeu não deixar nenhum seguidor sem resposta.

Chávez percebeu que o Twitter é uma plataforma única de comunicação, de persuasão, de gestão da reputação. Tal como os políticos e as organizações o perceberam. Mas, para ser eficaz e mobilizador, exige respostas rápidas, capacidade de diálogo e de envolvimento. A entrada nas redes sociais é, de facto, um investimento exigente e caro, que exige ser bem pensado antes de ser eleito como uma “ferramenta de marketing e comunicação”.

Não sei se 200 pessoas serão um exagero, talvez não seja. O que é certo é que, tal como Chávez e as grandes organizações já perceberam, sem os recursos necessários (isto é, uma equipa dedicada e dimensionada) a presença nas  redes sociais é mero folclore e sem qualquer retorno.

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