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Archive for the ‘Redes Sociais’ Category

A TSF não é a Ensitel

Compreendo a tentação e a oportunidade de comparar o “Caso do Fórum TSF” de ontem ao famoso “Caso Ensitel”. Anima as hostes e tem uma palavra-chave-mágica.

Mas é um exercício fácil apenas na aparência. É difícil separar a análise de gestão de crise da análise político-mediática.

Conheço bem os fóruns TSF, seguidos maioritariamente por dever profissional. Quem conhece, sabe que são, salvo raras excepções, duas penosas horas em que convulsamos entre o desabafo pessoal, o ódio irracional e, mais raramente, o registo apologético – qualquer que seja o tema.

Posto isto, o que é que a “enxurrada” de panegíricos a José Sócrates e ao PS (que não ouvi, mas li relatos) tem a ver com o caso Ensitel? Nada.

Recordando:

– A Ensitel processa uma blogger e obriga-a a retirar posts do seu blog

– Depois de milhares de comentários negativos na sua página do facebook, aos quais não dá resposta, a Ensitel decide apagar todos os posts.

– Uma semana mais tarde, vem pedir desculpa e retira a acção contra a blogger.

O caso Ensitel tornou-se portanto um case study exactamente pela má gestão da crise nas redes sociais.

No caso deste Fórum TSF, a polémica foi gerada pela dúvida levantada – pelo outro lado da “barricada” – quanto à isenção da estação de rádio e eventual “filtragem” de opinião. E essa polémica foi debatida, essencialmente, porque naturalmente, nas redes sociais, nomeadamente no Facebook.

Quanto a tudo o resto, qualquer comparação é mero oportunismo. Aparentemente, os comentários estão a ser postados livremente na página do facebook da TSF e o director da estação, Paulo Baldaia, comunicou na mesma página o seu esclarecimento, logo que a polémica “rebentou”.

O “Caso do Fórum TSF” devia ser um case study, mas não de gestão de crise nas redes sociais.

Também publicado ontem aqui.

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A fechar um ano de grandes (r)evoluções na área da comunicação e das Public Relations, o caso Ensitel trouxe muito food for thought. Que ainda vai alimentar muito artigo em 2011.

Para quem não leu, deixo aqui o meu pequeno texto de opinião na Briefing.

Boas entradas aos nossos leitores, para o ano cá estaremos. Com boas novidades.

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António Quintas e Alexandre Gamela convidaram personalidades dos media para partilharem, num mesmo post, as suas previsões para o sector em 2011. Por alguma razão, também me quiseram ouvir. Não sendo especialista em media, apenas consumidora intensiva e observadora atenta, também lá deixei uns palpites.

Previsões de Paulo Querido, António Granado, Alexandre Pais, Rodrigo Saraiva, Manuel Falcão, Paul Bradshaw e Mark Luckie, aqui.

O meu desafio/pergunta sobre a criação de um jornal nacional pensado exclusivamente para iPad (à semelhança do Daily iPaper do Murdoch) gerou alguma discordância no Twitter por parte de Paulo Querido e Alexandre Pais, com a argumentação de que não há mercado (possuidores de tablets suficientes). Pois ainda não há, mas Portugal é tradicionalmente um país de early-adopters de gadgets tecnológicos, por isso quem for pioneiro arrisca-se a ganhar bom dinheiro num futuro não tão longínquo. Mas são só palpites.

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A velhice é a coisa mais surpreendente que pode acontecer a uma pessoa (Trotsky)

Cultivadora compulsiva de quinquilharia, memorabilia, revistas e jornais já desaparecidos, postais e anúncios pintados por artistas, sempre me achei pertencente a um “nicho”, tão pequeno que raramente encontro quem se extasie comigo perante uma edição antiga do Século Ilustrado ou o folheto da “Mary Poppins” do cinema Europa.

Duvido que isto faça de mim uma saudosista, porque esta mania vem desde os meus sete ou oito anos, quando esgravatava nas colecções antigas do meu pai. Creio antes que vem do fascínio e curiosidade pela representação da realidade em diferentes tempos, talvez a nostalgia de alguma candura, mas também, e ao fim ao cabo, a busca de cheiros e cores que o nosso tempo não nos dá.

Eis que, de forma muito evidente, o culto das peças e da estética vintage (os brasileiros preferem a palavra Retrô) se está a tornar mainstream. Jornais e televisões recuperam anúncios antigos e fazem deles matérias autónomas, blogues, perfis de twitter e Facebook, como o imperdível Reclames do Estadão, uma iniciativa do “Estado de São Paulo” (que bem poderia ser recuperada pelo “Diário de Notícias”).

Bom, isto parece apenas  a exploração de um filão, um pequeno alargamento do nicho.

Mas esta “reciclagem” do passado foi mais longe com a campanha “Como seriam os anúncios do Facebook, Twitter e Skype nos anos 60?“, uma brilhante criação acabada de lançar pela agência brasileira Moma de São Paulo para o MaxiMídia, o maior evento de Comunicação e Marketing da América Latina. Nesta campanha, podemos ver-nos como veríamos os anúncios antigos do Estadão, deslumbrados mas felizes e cândidos perante o progresso que nos avassala.

E porque é que esta campanha está a gerar um êxito brutal nas redes sociais e nos blogs de tecnologia e comunicação?  Porque é surpreendente, porque nos dá a dimensão vintage do nosso presente, porque nos acalma em relação ao que por vezes sentimos como a voragem dos tempos.

Depois, foi também o primeiro Vintage Computing Festival em Inglaterra, onde as velhas máquinas são admiradas e onde alguém  recupera o Spectrum e põe-lhe o Twiiter lá dentro. O tempo encapsulado dentro do tempo.

E os casos vão-se multiplicando. Estaremos a recuperar apenas a estética vintage-retrô, é só uma moda, ou estamos a tomar consciência de que a turbulenta evolução tecnológica nos está a levar, a cada dia que passa, a ter saudades do futuro?

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Cristiano Ronaldo chegou hoje ao Twitter, viu e venceu, e já ultrapassou os 30 mil seguidores. Nada de especial, se atentarmos ao facto que no Facebook tem mais de 4,5 milhões de fãs.

Mais interessante será para a Armani saber que, em 4o minutos, 6 mil pessoas “clicaram” na sua foto de campanha no Facebook (10 por cento dos “fãs”) e mais de 7 mil foram ver a mesma imagem via Twitter (no mesmo espaço de tempo, 40 minutos, 25 por cento dos seguidores).

Algumas conclusões:

– a marca Cristiano é um bom investimento da marca Armani

– o Twitter é mais eficaz que o Facebook em termos de activação

– os golos do Ronaldo no Mundial não interessam para nada.

Nota: os números deste post desactualizam-se a cada segundo, mas as conclusões, para já, mantêm-se.

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Fabuloso video, chamado “Pink Gloves Dance”, realizado pelos trabalhadores de um hospital norte-americano em Providence, no Oregon. Objectivo: aumentar a notoriedade da causa da luta contra o cancro da mama.

Não sendo completamente amador (nota-se que teve alguma produção), a sua simplicidade e genuinidade são contangiantes. Os seus mais de 10 milhões de visualizações provam o seu incrível efeito viral. Contudo, acredito que quando se dispuseram a fazer este filme, os trabalhadores (de médicos a faxineiros) não pensaram “Vamos fazer um video viral”. Apenas puseram todo o seu entusiasmo numa acção de comunicação mais eficaz que muitas das campanhas que já vi sobre o tema (incluindo a que corre agora na Fox Life, com “celebridades” da moda).

Não sei se isto se inclui em responsabilidade social, ou cause-related marketing ou relações públicas. Só sei que é uma grande campanha, ancorada no Youtube.

Pergunta: seria imaginável uma campanha destas num hospital português?

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Hugo Chávez, depois de surpreender o mundo (e assustar meio outro) com a abertura de uma conta no Twitter, é hoje notícia por ter recrutado 200 pessoas para gerir essa conta. As reacções, em geral, são de espanto e gargalhada geral.

Questões políticas à parte (diz que abraçou o Twitter como mais “uma arma da revolução”), Chávez entendeu muito bem o segredo das redes sociais: o engagement e o diálogo.

Contrariamente a várias celebridades que se limitam a acumular milhares ou milhões de seguidores e debitar de vez em quando umas frases, sem qualquer ou muito pouca interacção com o público, Chavez decidiu responder a todos os que se lhe dirigem. As mensagens são diversas, mas a maioria parecem ser apelos para casos pessoais, como este ou mensagens de apoio (também de críticas, naturalmente).

Com cerca de 243 mil seguidores nesta data e 50 mil mensagens recebidas nas duas primeiras semanas, o ““Presidente de la República Bolivariana de Venezuela. Soldado Bolivariano, Socialista y Antiimperialista” (é esta a sua biografia no Twitter) prometeu não deixar nenhum seguidor sem resposta.

Chávez percebeu que o Twitter é uma plataforma única de comunicação, de persuasão, de gestão da reputação. Tal como os políticos e as organizações o perceberam. Mas, para ser eficaz e mobilizador, exige respostas rápidas, capacidade de diálogo e de envolvimento. A entrada nas redes sociais é, de facto, um investimento exigente e caro, que exige ser bem pensado antes de ser eleito como uma “ferramenta de marketing e comunicação”.

Não sei se 200 pessoas serão um exagero, talvez não seja. O que é certo é que, tal como Chávez e as grandes organizações já perceberam, sem os recursos necessários (isto é, uma equipa dedicada e dimensionada) a presença nas  redes sociais é mero folclore e sem qualquer retorno.

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