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O Código Fonte mudou-se para aqui. Esperamos continuar a merecer a sua preferência no reino dos anfíbios.

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A Revolução de Veludo

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Lou Reed (2 de março de 1942- 27 de outubro 2013) e os Velvet Underground foram responsáveis, conta a lenda, pela formação de 30 mil bandas de músicos, tantas quantos os exemplares vendidos do seu primeiro álbum. Um flop de vendas, portanto, mas um tremendo impacto na música.

Vinte anos mais tarde, a queda do regime comunista na Checoslováquia, conhecida como a Revolução de Veludo, foi buscar a Lou Reed a sua inspiração. Vaclav Havel conta, em 1999, a Salman Rushdie, a importância que teve o rock norte-americano na resistência checa: “Why do you think we called it the Velvet Revolution?”

Para uma, talvez duas gerações, no máximo, música e movimentos políticos são indissociáveis. Nunca uma música foi e nunca mais será tão universal e mobilizadora de revoluções como o rock’n’roll.

And it’s all over now, baby blue.

Muita papinha boa

Boa descoberta e boa dica da Vírginia Coutinho.

Um centro de recursos preciosos com 60 anos de eleições presidenciais americanas. Com vídeos, estratégias e resultados.

É aqui, The Living Room Candidate. Para políticos de bancada e não só.

Site sobre presidenciais americanas

marinho

Marinho Pinto, o bastonário da Ordem dos Advogados, reconhece que precisa de uma agência de comunicação. Acontece que, muito provavelmente, não conseguiria contratar nenhuma.

Marinho Pinto é o típico cliente que nenhuma agência quer. Queixa-se de “pagar uma fortuna” e depois não sair nenhuma menção no Expresso. Queixa-se de falar ao Público com a sua protegida e só sairem as suas declarações. Queixa-se dos concorrentes serem mais eficazes na sua comunicação. Queixa-se.

No relambório de queixas, cai na contradição de acusar as agências de comunicação de serem simultaneamente eficazes e não eficazes. Eficazes para os outros concorrentes, ineficaz para si.

É o típico caso do cliente que não percebe, não quer perceber e tem raiva de quem percebe de comunicação. Livra.

A Entrevista

socrates entrevista expresso

Não vou analisar os efeitos políticos da entrevista de José Sócrates ao Expresso. Teoricamente, eles serão nenhuns. Não se vislumbra, de imediato, lugar para ele nas instâncias politico-partidárias. Embora esquerda e direita tremam, cada um para o seu lado.

Mas o seu efeito mediático foi gigante. E a omnipresença de Sócrates na esfera dos jornais, dos blogues e dos comentários não vai parar tão cedo. Geram-se enormes expectativas sobre o lançamento do livro depois de amanhã.

Quero apenas deixar umas notas sobre a entrevista, ou melhor, sobre o resultado da entrevista:

– Desde logo, o local: um restaurante. O facto de não ser num escritório, ou em casa, ou seja no território do entrevistado, transmite a primeira mensagem: liberdade. O cidadão do mundo em que José Sócrates se tornou.

– A aparência: moderna e “casual”. Tal como se apresentou mais tarde na entrevista a Herman José na RTP1. Uma imagem que, mais uma vez, transmite autonomia. Cores e padrões neutros, correctos.

– O tom: casual, coloquial, a resvalar para o negligente. Aqui penso que resultou mais de uma não-edição propositada da entrevistadora do que a intenção do entrevistado. Reforça o tom intimista e, mais uma vez, a espontaneidade. Talvez tenha resultado num “excesso de posicionamento” de descomprometimento.

Estes terão sido os pontos mais positivos da entrevista, do ponto de vista formal.

Sobre a edição propriamente dita, ao optar pela “narrativa” em vez da fórmula pergunta-resposta, a entrevistadora criou algum caos na leitura e na interpretação. Ficou.me várias vezes a dúvida se algumas declarações resultaram de respostas incompletas ou de temas forçados pelo entrevistado.

Creio que Sócrates beneficiou mais da entrevista televisiva com Herman José. Que também teve no sábado passado a melhor audiência de sempre.

Nation branding

titulo mexico

Numa cerimónia oficial no México, o primeiro-ministro, Passos Coelho, discursou sob o pano de fundo de uma bandeira portuguesa diferente e não oficial. A Rádio Renascença (RR) conversou com Segismundo Pinto, do Instituto Português de Heráldica, que admite que a «tosca bandeira» tenha sido «fabricada no México para desenrascar».

Ora aqui está outro conceito que em Portugal vai pelas ruas da amargura, no que ao esforço diplomático oficial diz respeito. No caso, falta de respeito. No caso, pela bandeira nacional.

Nation branding é a construção da imagem e da reputação de um estado-nação, e é medida através de uma série de indicadores, como a cultura, o regime, as pessoas, as exportações, o turismo, o investimento e a imigração. Em geral, é a percepção que os outros países têm do nosso.

O nation branding é fomentado e tutelado pelo governo em muitos países. No Reino Unido, até lhe chamam “public diplomacy“. O comentário de Segismundo Pinto tem duas palavras-chave: “tosca” e “desenrascar”. É este o estado da nossa “public diplomacy”.

Valham-nos as pessoas, as empresas exportadoras e o turismo para não cairmos no fundo da tabela.

passos no mexico

 

manif ponte 25 de abril

A manifestação anunciada pela central sindical CGTP para a Ponte 25 de abril e depois desconvocada tem sido o verdadeiro choque de expectativas, com reacções que podem chegar ao extremo.

Pode esta “capitulação” da CGTP ser considerada um erro de relações públicas, uma acção de Publicity stunt que correu mal?  Ou a notícia do seu flop está a ser manifestamente exagerada?

Há muito que é discutida a teoria de que não há má publicidade.  Já Oscar Wilde dizia (e com que propriedade) que “só há uma coisa pior que ser falado: é não ser falado”.

É claro que estes aforismos nunca são profissionalmente partilhados por consultores de marketing e comunicação. Não queremos os nossos clientes falados por más razões, tanto mais que são invariavelmente injustas.

Mas há quem defenda, e até há pesquisa académica nesta matéria, que para certas marcas a “má publicidade” pode ser benéfica. Esta tese aplica-se sobretudo a marcas com pouca notoriedade, ou moribundas, que acabam por ganhar vantagem ao se tornarem faladas.

Este verdadeiro exercício de “PR stunt” da CGTP serve, provavelmente muito bem, os seus objectivos. Num contexto de cada vez maior ineficácia dos sindicatos na defesa dos direitos dos seus públicos, a ampla cobertura mediática é, neste momento, a sua quase única prova de vida e de relevância social.

Não vai ser na Ponte, mas isso já não tem importância. O importante é que a marca criou um “caso” que, através dos media, abrange um público muito mais vasto que o do seu território natural: a fundamental opinião pública.

*Brendan Behan, escritor irlandês  (1923 – 1964) 

Devido à enorme gentileza de Alejandro Formanchuk, partilhamos aqui a versão 0.1 do seu e-book sobre Comunicação Interna 2.0. É uma versão em português (do Brasil) e, pelo que percebo, uma espécie de edição colaborativa, onde os leitores podem fazer sugestões que permitam ir lançando edições actualizadas e melhoradas.

Como tal, se “baixarem” o livro, dêm o vosso feedback ao Alejandro.

Compreendo a tentação e a oportunidade de comparar o “Caso do Fórum TSF” de ontem ao famoso “Caso Ensitel”. Anima as hostes e tem uma palavra-chave-mágica.

Mas é um exercício fácil apenas na aparência. É difícil separar a análise de gestão de crise da análise político-mediática.

Conheço bem os fóruns TSF, seguidos maioritariamente por dever profissional. Quem conhece, sabe que são, salvo raras excepções, duas penosas horas em que convulsamos entre o desabafo pessoal, o ódio irracional e, mais raramente, o registo apologético – qualquer que seja o tema.

Posto isto, o que é que a “enxurrada” de panegíricos a José Sócrates e ao PS (que não ouvi, mas li relatos) tem a ver com o caso Ensitel? Nada.

Recordando:

– A Ensitel processa uma blogger e obriga-a a retirar posts do seu blog

– Depois de milhares de comentários negativos na sua página do facebook, aos quais não dá resposta, a Ensitel decide apagar todos os posts.

– Uma semana mais tarde, vem pedir desculpa e retira a acção contra a blogger.

O caso Ensitel tornou-se portanto um case study exactamente pela má gestão da crise nas redes sociais.

No caso deste Fórum TSF, a polémica foi gerada pela dúvida levantada – pelo outro lado da “barricada” – quanto à isenção da estação de rádio e eventual “filtragem” de opinião. E essa polémica foi debatida, essencialmente, porque naturalmente, nas redes sociais, nomeadamente no Facebook.

Quanto a tudo o resto, qualquer comparação é mero oportunismo. Aparentemente, os comentários estão a ser postados livremente na página do facebook da TSF e o director da estação, Paulo Baldaia, comunicou na mesma página o seu esclarecimento, logo que a polémica “rebentou”.

O “Caso do Fórum TSF” devia ser um case study, mas não de gestão de crise nas redes sociais.

Também publicado ontem aqui.

Tributo a McLuhan

Convidado: Joaquim Martins Lampreia


Celebra-se este ano, um pouco por todo o mundo, o centenário do nascimento de Marshall Mcluhan, parecendo-me oportuno prestar um justo tributo a este vulto da comunicação.

Por já o ter expressado publicamente por diversas vezes, penso não ser novidade a minha profunda admiração por McLuhan. Nem tão pouco deve surpreender a minha costela “McLuhanista”, oriunda da formação de base recebida no inicio dos anos setenta, e que foi totalmente moldada pelas ideias do nosso “Mestre” de então.

Mas este canadiano foi muito mais do que um Guru da comunicação. Sem dúvida que as ideias geniais que introduziu  revolucionaram por completo este domínio do conhecimento e tanto as Relações  Públicas como o Jornalismo, e sobretudo a Publicidade, sofreram alterações  profundas no seu conceito e metodologia. Para além de um dos maiores pensadores  do século XX, McLuhan foi também um filósofo e um historiador que soube como  ninguém rasgar horizontes novos na comunicação de massas.

Com ele voltou-se a escrever a história da humanidade a partir da evolução dos Meios de Comunicação, desde a invenção da escrita, até aos nossos dias, passando por Gutenberg e Marconi. A ele se deve também o conceito de “Aldeia Global”, que, com o advento das Redes Sociais, não podia estar mais actualizado.

O lançamento do seu livro mais emblemático “The Medium is The Massage”, já perfaz quase meio século (1964) e também ele é de uma actualidade espantosa, ilustrando bem sua visão quase profética da sociedade ocidental.

Por curiosidade refira-se que o título do livro é esse mesmo, “massage” e não “message”, que era a ideia original do autor mas que, devido a uma gralha, apareceu com esta forma nas primeiras provas da tipografia.

Tanto McLuhan como o editor acharam este erro tipográfico “muito interessante e oportuno” e resolveram manter o título assim mesmo. O que McLuhan queria dizer originalmente com “The Medium is The Message” é que o Meio através do qual se comunica já é em si mesmo parte da própria Mensagem que se quer comunicar, sendo indissociável desta.

 

Esta nova visão alterou substancialmente a forma e o conceito criativo publicitário da altura, que compartimentava excessivamente o “Copy Strategy” e o “Media Strategy”.

A “Galáxia Gutenberg” é a outra das suas obras primas, onde a história da humanidade é analisada unicamente através da óptica da comunicação, nomeadamente o período que vai da descoberta da escrita à invenção da tipografia e da palavra imprensa, com Gutenberg. A fase em que as sociedades trocaram o “ouvido pelo olho”, como ele dizia, e  permitiram a disseminação maciça do conhecimento.

O mais extraordinário nas suas obras, todas elas de grande profundidade de pensamento, é a simplicidade e a clareza com que McLuhan consegue explicar as suas teorias e os seus pontos de vista. Inúmeras vezes vai buscar exemplos ilustrativos a obras de Shakespeare, James Joyce e outros, autores clássicos para conseguir transmitir a sua mensagem com espantosa clareza.

No seu outro livro de referência, “Understanding Media”, analisa os Meios de Comunicação como extensões do ser humano, “tal como o martelo é o prolongamento do braço do operário, os Meios são o prolongamento dos nossos sentidos”.

Neste livro transpôs uma passagem extraordinária que não resisto em copiar, pela clareza da descrição.

Trata-se do momento exacto em que um ser selvagem e iletrado se apercebe pela primeira vez da importância da palavra escrita, em oposição à palavra oral, a única que conhecia até então. Este texto serve também para ilustrar a tese de McLuhan, sobre a evolução das  sociedades, em que se troca “o ouvido pelo olho”.

“Sobre o seu encontro com o mundo  escrito, na África Ocidental, escreveu o Príncipe Modupe:

Na casa do Padre Perry, o único  lugar totalmente ocupado era o das estantes de livros. Gradativamente cheguei a  compreender que as marcas sôbre as páginas eram palavras na armadilha. Qualquer  um podia decifrar os símbolos e soltar as palavras aprisionadas, falando-as. A  tinta de impressão enjaulava os pensamentos; êles não podiam fugir, assim como  um dumbu não pode fugir da armadilha. Quando me dei conta do que realmente isto  significava, assaltou-me a mesma sensação e o mesmo espanto que tive quando vi  pela primeira vez as luzes brilhantes de Conacri. Estremeci, com a intensidade de meu desejo de aprender a fazer eu mesmo aquela coisa extraordinária que é: ler!”

Apesar de já ter falecido há três décadas (1911-1980), o seu pensamento continua espantosamente actual, tendo conseguido antecipar o efeito de homogeneização e desumanização dos Mass Media, em simultâneo com a aproximação dos povos, muito anos antes da Internet dar os primeiros passos.

Parece-me pois de extrema justiça que lhe seja feita esta homenagem nos 100 anos do seu nascimento.

Para os interessados, e já que em Portugal não se fez até à data qualquer referência ao assunto, o programa das comemorações do “100 years of Mcluhan! The global village is now”, pode ser consultado em: http://marshallmcluhan.com e no Twitter em @marshallmcluhan.

J. Martins Lampreia

Consultor/Lobista

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