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Archive for the ‘social media’ Category

A fechar um ano de grandes (r)evoluções na área da comunicação e das Public Relations, o caso Ensitel trouxe muito food for thought. Que ainda vai alimentar muito artigo em 2011.

Para quem não leu, deixo aqui o meu pequeno texto de opinião na Briefing.

Boas entradas aos nossos leitores, para o ano cá estaremos. Com boas novidades.

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António Quintas e Alexandre Gamela convidaram personalidades dos media para partilharem, num mesmo post, as suas previsões para o sector em 2011. Por alguma razão, também me quiseram ouvir. Não sendo especialista em media, apenas consumidora intensiva e observadora atenta, também lá deixei uns palpites.

Previsões de Paulo Querido, António Granado, Alexandre Pais, Rodrigo Saraiva, Manuel Falcão, Paul Bradshaw e Mark Luckie, aqui.

O meu desafio/pergunta sobre a criação de um jornal nacional pensado exclusivamente para iPad (à semelhança do Daily iPaper do Murdoch) gerou alguma discordância no Twitter por parte de Paulo Querido e Alexandre Pais, com a argumentação de que não há mercado (possuidores de tablets suficientes). Pois ainda não há, mas Portugal é tradicionalmente um país de early-adopters de gadgets tecnológicos, por isso quem for pioneiro arrisca-se a ganhar bom dinheiro num futuro não tão longínquo. Mas são só palpites.

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Acabam de ser revelados os resultados do European Communication Monitor 2010, apresentados a semana passada em Bruxelas. O inquérito foi realizado em 46 países europeus com 1955 participantes, incluindo profissionais de comunicação portugueses.

Entre as várias conclusões, importantes para a auto-avaliação e caminhos de progressão dos profissionais de comunicação organizacional, destaca-se:

– os Departamentos de Comunicação são percepcionados como excelentes, pelos próprios responsáveis,  quando são capazes  envolver stakeholders (85,8%), mobilizar pessoas (82,1%) e influenciar processos de gestão (81,8%)

– 72,1% dos profissionais de comunicação consideram que ajudam a atingir os objectivos de negócio através da criação de intangíveis como a marca, a reputação e a cultura organizacional.

– 75,5% dos profissionais de comunicação consideram que  são vistos como influenciadores de decisão pelo top management

– Comunicação Interna e Gestão da Mudança (+7,3%), Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa (+9,9%) e Personal Coaching e Formação (+9,6%) são as áreas de maior crescimento no horizonte de 2013

– Media sociais (+37%), Online media (+19,1%) e Comunicação online (+13,3%) representam os canais ou instrumentos de comunicação de maior crescimento.

Refinando um pouco a análise, percebemos que os profissionais de comunicação ainda têm a percepção que o seu foco é no apoio à estratégia usando actividades de comunicação, mas em menor percentagem se sentem responsáveis pela definição dos objectivos organizacionais, acrescentando a dimensão da comunicação à formulação da estratégia. Há, como dizem os autores do estudo, pouco “inbound”. Os profissionais de comunicação são sobretudo “boundary-spammers”, isto é falam e ouvem para fora da organização . Falam pouco para dentro da organização.

Assumem-se portanto mais como facilitadores de estratégias do que propriamente “business advisors”. Escusado será dizer que são os consultores e os profissionais das agências/consultoras de comunicação o segmento que mais se sente influenciador e participante nas estratégias das organizaçãoes. Contudo e no geral, os profissionais sentem que o seu papel de influenciador e conselheiro de confiança tem vindo a crescer.

Na perspectiva da evolução profissional, não deixa de ser curioso e significativo que, logo a seguir à formação, o networking seja encarado como uma das vertentes mais importantes no desenvolvimento pessoal e profissional. Está assim mais que justificado o crescente interesse dos profissionais pelo associativismo – em Portugal, os profissionais juntam-se em torno da APCE – e, também, pelos encontros mais informais que estão a ter grande adesão, os PR After Work dinamizados pelo Rodrigo Saraiva.

Agradeço ao Rui Martins, Coordenador Regional para Portugal da EACD, a disponibilização do estudo.

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No tempo em que os ministérios, os institutos, as câmaras, a presidência, tudo e mais um par de botas (menos os tribunais) têm sites, “gabinetes de comunicação”, assessores de imprensa e imagem e todo um exército de gente paga pelo erário público para disponibilizar informação e responder a perguntas, obter “dados” sobre seja o que for, é, como há 20 anos, um martírio.

Este extracto de um post da jornalista Fernanda Câncio intitulado “Má informação” deu o mote para uma ideia há muito discutida em Portugal (e não só) pelas consultoras de comunicação e relações públicas.

Os casos relatados por F. Câncio como “Assessores de imprensa que nunca têm tempo para atender o telefone ou que quando o atendem é para dizer “mande-me um mail”; que chegam a levar meses (tenho um caso recente) a responder a perguntas e mesmo assim só parcialmente ou nada;(…)” estão nos antípodas da postura das consultoras.

A missão das consultoras de comunicação é facilitar acessos, informação, dados, estatísticas, posições, comentários. Fazem-no, em primeiro lugar, para servir os interesses ou as necessidades de comunicação dos seus clientes (que podem ser empresas privadas, mas também associações, organismos públicos, ONG, pessoas ou grupos de interesse) e que tenham relevância pública para os meios a que destinam as suas mensagens.

Mas fazem-no também, muitas vezes, apenas para ajudar um jornalista numa matéria sobre a qual possuem informações e contactos. E, muitas vezes também, sem nenhum benefício concreto para o seu cliente.

Aliás, os jornalistas tão bem sabem disso que quantas vezes, para obterem dados ou documentos oficiais sobre um tema público, ligam directamente para as organizações e empresas não-estatais ligadas a esse tema. Sabem que, se essa informação existir, e não estiver sob reserva de confidencialidade, as consultoras tudo farão para ajudar.

Não se trata aqui de bons samaritanos. Apenas e tão só uma forma transparente e desassombrada de trabalhar informação. Como F. Câncio diz, “a maioria dos  assessores de gabinetes já foram jornalistas”. Pois bem, nas consultoras também existem ex-jornalistas. A questão é que, para uma missão aparentemente igual, as posturas são diferentes. A diferença é que os consultores dependem da sua competência, do seu profissionalismo e da sua boa reputação para sobreviver. São pagos para trabalhar, gerir e disponibilizar informação, não para a sonegar ou reter. É outra atitude perante a informação. As consultoras são hoje reconhecidas como os players mais transparentes do sistema mediático (que os social media vieram ampliar, e onde as consultoras também já trabalham com profissionalismo).

Dito isto, deixo aqui o repto: Para quando a profissionalização da comunicação pública? Como em qualquer organização, deve existir um responsável interno pela comunicação. Mas este deve ser apoiado por uma equipa profissional que sabe que a transparência e o acesso rápido a informação, as respostas oportunas às questões dos jornalistas são condição para um jornalismo também ele mais conhecedor e por isso de maior qualidade, evitando as “manipulações e distorções” que Fernanda Câncio também refere no post.

Se, recentemente, o governo recrutou uma agência internacional para trabalhar informação pública junto dos media internacionais, porque não fazê-lo internamente, ao nível de ministérios, agências estatais e outros organismos públicos?

Responder-me-ão que os assessores são cargos que exigem confiança? Claro. O trabalho das consultoras também se baseia em confiança e um consultor tem deveres éticos de lealdade, confidencialidade e verdade.

Uma ideia sobre a qual gostava de saber a opinião dos partidos que defendem a transparência, a democracia e a sociedade civil.

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