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Posts Tagged ‘social media’

A fechar um ano de grandes (r)evoluções na área da comunicação e das Public Relations, o caso Ensitel trouxe muito food for thought. Que ainda vai alimentar muito artigo em 2011.

Para quem não leu, deixo aqui o meu pequeno texto de opinião na Briefing.

Boas entradas aos nossos leitores, para o ano cá estaremos. Com boas novidades.

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No tempo em que os ministérios, os institutos, as câmaras, a presidência, tudo e mais um par de botas (menos os tribunais) têm sites, “gabinetes de comunicação”, assessores de imprensa e imagem e todo um exército de gente paga pelo erário público para disponibilizar informação e responder a perguntas, obter “dados” sobre seja o que for, é, como há 20 anos, um martírio.

Este extracto de um post da jornalista Fernanda Câncio intitulado “Má informação” deu o mote para uma ideia há muito discutida em Portugal (e não só) pelas consultoras de comunicação e relações públicas.

Os casos relatados por F. Câncio como “Assessores de imprensa que nunca têm tempo para atender o telefone ou que quando o atendem é para dizer “mande-me um mail”; que chegam a levar meses (tenho um caso recente) a responder a perguntas e mesmo assim só parcialmente ou nada;(…)” estão nos antípodas da postura das consultoras.

A missão das consultoras de comunicação é facilitar acessos, informação, dados, estatísticas, posições, comentários. Fazem-no, em primeiro lugar, para servir os interesses ou as necessidades de comunicação dos seus clientes (que podem ser empresas privadas, mas também associações, organismos públicos, ONG, pessoas ou grupos de interesse) e que tenham relevância pública para os meios a que destinam as suas mensagens.

Mas fazem-no também, muitas vezes, apenas para ajudar um jornalista numa matéria sobre a qual possuem informações e contactos. E, muitas vezes também, sem nenhum benefício concreto para o seu cliente.

Aliás, os jornalistas tão bem sabem disso que quantas vezes, para obterem dados ou documentos oficiais sobre um tema público, ligam directamente para as organizações e empresas não-estatais ligadas a esse tema. Sabem que, se essa informação existir, e não estiver sob reserva de confidencialidade, as consultoras tudo farão para ajudar.

Não se trata aqui de bons samaritanos. Apenas e tão só uma forma transparente e desassombrada de trabalhar informação. Como F. Câncio diz, “a maioria dos  assessores de gabinetes já foram jornalistas”. Pois bem, nas consultoras também existem ex-jornalistas. A questão é que, para uma missão aparentemente igual, as posturas são diferentes. A diferença é que os consultores dependem da sua competência, do seu profissionalismo e da sua boa reputação para sobreviver. São pagos para trabalhar, gerir e disponibilizar informação, não para a sonegar ou reter. É outra atitude perante a informação. As consultoras são hoje reconhecidas como os players mais transparentes do sistema mediático (que os social media vieram ampliar, e onde as consultoras também já trabalham com profissionalismo).

Dito isto, deixo aqui o repto: Para quando a profissionalização da comunicação pública? Como em qualquer organização, deve existir um responsável interno pela comunicação. Mas este deve ser apoiado por uma equipa profissional que sabe que a transparência e o acesso rápido a informação, as respostas oportunas às questões dos jornalistas são condição para um jornalismo também ele mais conhecedor e por isso de maior qualidade, evitando as “manipulações e distorções” que Fernanda Câncio também refere no post.

Se, recentemente, o governo recrutou uma agência internacional para trabalhar informação pública junto dos media internacionais, porque não fazê-lo internamente, ao nível de ministérios, agências estatais e outros organismos públicos?

Responder-me-ão que os assessores são cargos que exigem confiança? Claro. O trabalho das consultoras também se baseia em confiança e um consultor tem deveres éticos de lealdade, confidencialidade e verdade.

Uma ideia sobre a qual gostava de saber a opinião dos partidos que defendem a transparência, a democracia e a sociedade civil.

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O tema é inesgotável, e parece que o rastilho lançado pelo Rodrigo pegou.

Vou apenas referir, porque muito interessante, a análise do Nuno Gouveia à realidade norte-americana e de que recomendo a leitura. Chego à conclusão, a partir do histórico feito pelo Nuno que, de facto, faz sentido que nos Estados Unidos os bloggers se equiparem cada vez mais a jornalistas (quem quiser pode ver aqui o resumo do estudo) Basta ver a quantidade de blogs que se transformaram em meios de comunicação social e que, no jargão actual, se denominam de social media.

Claro que em Portugal estamos a milhas dessa realidade. Mas acredito que cá chegará. Como em tudo o resto, o nosso atraso tem a ver com a falta de recursos, o pequeno mercado e a tradicional cultura de minifúndio, onde cada blog tem a sua quintinha. Por isso demorará a transformação dos blogs em verdadeiros social media. Não deixam, contudo, sobretudo na política (mas não só) de serem media cada vez mais influentes.
Depois, no blog do 31 da sarrafada, o Fernando Fonseca, que se assume como “blogger sem agenda” e refuta o epíteto de jornalista,  dá o mote a comentários a esse post, muito interessantes, da Jonas Nuts, que equipara os blogs a orgãos de comunicação social, mas distingue-os claramente dos “orgãos tradicionais”.
Por fim, o Carlos José Teixeira, no seu blog semiose.net  procura definir a linha que separa bloggers de jornalistas: obrigações legais, éticas e deontológicas dos segundos que os primeiros, de facto, não têm.
Numa desesperada tentativa de síntese, arrisco-me a esta: num futuro mais ou menos próximo, todos os meios de comunicação social terão uma configuração próxima dos blogs. Uns serão de grande dimensão e terão profissionais (que não sei como se chamarão) e outros serão pequenos blogs pessoais, ou de pequenos grupos, ou corporativos, e serão amadores (como se pretende equiparar agora os bloggers). Antevejo ainda a extinção da ERC…

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Como o post anterior gerou reacções homónimas, do Rodrigo Saraiva e do Rodrigo Moita de Deus, junto apenas mais uma reflexão à de ontem.

Não querendo fazer “rodriguinhos” ;), acho que neste momento todos temos razão.

Blogging não é, assumidamente, jornalismo, nem os jornalistas são comunicação social.

Apenas me parece que a questão não pode ser tão simplificada como o querem crer os dois ilustres colegas. A questão levanta-se sempre que surgem as questões formais, como a de deverem os bloggers ser credenciados ou não em determinados eventos ou se devem ter um tratamento diferenciado dos jornalistas.

Que os blogs são media, vulgo social media, sem dúvida. Mas alguns pretendem apenas falar para o umbigo ou para um número restrito de fanáticos, numa lógica de groupthinking, tomando o conceito emprestado de Jorge Nascimento Rodrigues. Outros têm vastas audiências e variados públicos, e podem ter um papel tão ou mais influente que os jornalistas dos “outlets tradicionais”, mesmo na produção de informação nova (o recente lançamento do Activo Bank foi exemplo disso).

A questão que se levantou no congresso do PSD é paradigmática de como é difícil navegar nestas linhas tão finas. Pergunto-me, no caso concreto, se não teria feito mais sentido Pedro Passos Coelho ter promovido uma “media conference”, em vez de um “encontro com bloggers” e “nenhuma conferência de imprensa” sem traçar distinções que podem roçar o ridículo (e arriscado, para quem está a iniciar o seu estado de graça).

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