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Devido à enorme gentileza de Alejandro Formanchuk, partilhamos aqui a versão 0.1 do seu e-book sobre Comunicação Interna 2.0. É uma versão em português (do Brasil) e, pelo que percebo, uma espécie de edição colaborativa, onde os leitores podem fazer sugestões que permitam ir lançando edições actualizadas e melhoradas.

Como tal, se “baixarem” o livro, dêm o vosso feedback ao Alejandro.

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Compreendo a tentação e a oportunidade de comparar o “Caso do Fórum TSF” de ontem ao famoso “Caso Ensitel”. Anima as hostes e tem uma palavra-chave-mágica.

Mas é um exercício fácil apenas na aparência. É difícil separar a análise de gestão de crise da análise político-mediática.

Conheço bem os fóruns TSF, seguidos maioritariamente por dever profissional. Quem conhece, sabe que são, salvo raras excepções, duas penosas horas em que convulsamos entre o desabafo pessoal, o ódio irracional e, mais raramente, o registo apologético – qualquer que seja o tema.

Posto isto, o que é que a “enxurrada” de panegíricos a José Sócrates e ao PS (que não ouvi, mas li relatos) tem a ver com o caso Ensitel? Nada.

Recordando:

– A Ensitel processa uma blogger e obriga-a a retirar posts do seu blog

– Depois de milhares de comentários negativos na sua página do facebook, aos quais não dá resposta, a Ensitel decide apagar todos os posts.

– Uma semana mais tarde, vem pedir desculpa e retira a acção contra a blogger.

O caso Ensitel tornou-se portanto um case study exactamente pela má gestão da crise nas redes sociais.

No caso deste Fórum TSF, a polémica foi gerada pela dúvida levantada – pelo outro lado da “barricada” – quanto à isenção da estação de rádio e eventual “filtragem” de opinião. E essa polémica foi debatida, essencialmente, porque naturalmente, nas redes sociais, nomeadamente no Facebook.

Quanto a tudo o resto, qualquer comparação é mero oportunismo. Aparentemente, os comentários estão a ser postados livremente na página do facebook da TSF e o director da estação, Paulo Baldaia, comunicou na mesma página o seu esclarecimento, logo que a polémica “rebentou”.

O “Caso do Fórum TSF” devia ser um case study, mas não de gestão de crise nas redes sociais.

Também publicado ontem aqui.

Tributo a McLuhan

Convidado: Joaquim Martins Lampreia


Celebra-se este ano, um pouco por todo o mundo, o centenário do nascimento de Marshall Mcluhan, parecendo-me oportuno prestar um justo tributo a este vulto da comunicação.

Por já o ter expressado publicamente por diversas vezes, penso não ser novidade a minha profunda admiração por McLuhan. Nem tão pouco deve surpreender a minha costela “McLuhanista”, oriunda da formação de base recebida no inicio dos anos setenta, e que foi totalmente moldada pelas ideias do nosso “Mestre” de então.

Mas este canadiano foi muito mais do que um Guru da comunicação. Sem dúvida que as ideias geniais que introduziu  revolucionaram por completo este domínio do conhecimento e tanto as Relações  Públicas como o Jornalismo, e sobretudo a Publicidade, sofreram alterações  profundas no seu conceito e metodologia. Para além de um dos maiores pensadores  do século XX, McLuhan foi também um filósofo e um historiador que soube como  ninguém rasgar horizontes novos na comunicação de massas.

Com ele voltou-se a escrever a história da humanidade a partir da evolução dos Meios de Comunicação, desde a invenção da escrita, até aos nossos dias, passando por Gutenberg e Marconi. A ele se deve também o conceito de “Aldeia Global”, que, com o advento das Redes Sociais, não podia estar mais actualizado.

O lançamento do seu livro mais emblemático “The Medium is The Massage”, já perfaz quase meio século (1964) e também ele é de uma actualidade espantosa, ilustrando bem sua visão quase profética da sociedade ocidental.

Por curiosidade refira-se que o título do livro é esse mesmo, “massage” e não “message”, que era a ideia original do autor mas que, devido a uma gralha, apareceu com esta forma nas primeiras provas da tipografia.

Tanto McLuhan como o editor acharam este erro tipográfico “muito interessante e oportuno” e resolveram manter o título assim mesmo. O que McLuhan queria dizer originalmente com “The Medium is The Message” é que o Meio através do qual se comunica já é em si mesmo parte da própria Mensagem que se quer comunicar, sendo indissociável desta.

 

Esta nova visão alterou substancialmente a forma e o conceito criativo publicitário da altura, que compartimentava excessivamente o “Copy Strategy” e o “Media Strategy”.

A “Galáxia Gutenberg” é a outra das suas obras primas, onde a história da humanidade é analisada unicamente através da óptica da comunicação, nomeadamente o período que vai da descoberta da escrita à invenção da tipografia e da palavra imprensa, com Gutenberg. A fase em que as sociedades trocaram o “ouvido pelo olho”, como ele dizia, e  permitiram a disseminação maciça do conhecimento.

O mais extraordinário nas suas obras, todas elas de grande profundidade de pensamento, é a simplicidade e a clareza com que McLuhan consegue explicar as suas teorias e os seus pontos de vista. Inúmeras vezes vai buscar exemplos ilustrativos a obras de Shakespeare, James Joyce e outros, autores clássicos para conseguir transmitir a sua mensagem com espantosa clareza.

No seu outro livro de referência, “Understanding Media”, analisa os Meios de Comunicação como extensões do ser humano, “tal como o martelo é o prolongamento do braço do operário, os Meios são o prolongamento dos nossos sentidos”.

Neste livro transpôs uma passagem extraordinária que não resisto em copiar, pela clareza da descrição.

Trata-se do momento exacto em que um ser selvagem e iletrado se apercebe pela primeira vez da importância da palavra escrita, em oposição à palavra oral, a única que conhecia até então. Este texto serve também para ilustrar a tese de McLuhan, sobre a evolução das  sociedades, em que se troca “o ouvido pelo olho”.

“Sobre o seu encontro com o mundo  escrito, na África Ocidental, escreveu o Príncipe Modupe:

Na casa do Padre Perry, o único  lugar totalmente ocupado era o das estantes de livros. Gradativamente cheguei a  compreender que as marcas sôbre as páginas eram palavras na armadilha. Qualquer  um podia decifrar os símbolos e soltar as palavras aprisionadas, falando-as. A  tinta de impressão enjaulava os pensamentos; êles não podiam fugir, assim como  um dumbu não pode fugir da armadilha. Quando me dei conta do que realmente isto  significava, assaltou-me a mesma sensação e o mesmo espanto que tive quando vi  pela primeira vez as luzes brilhantes de Conacri. Estremeci, com a intensidade de meu desejo de aprender a fazer eu mesmo aquela coisa extraordinária que é: ler!”

Apesar de já ter falecido há três décadas (1911-1980), o seu pensamento continua espantosamente actual, tendo conseguido antecipar o efeito de homogeneização e desumanização dos Mass Media, em simultâneo com a aproximação dos povos, muito anos antes da Internet dar os primeiros passos.

Parece-me pois de extrema justiça que lhe seja feita esta homenagem nos 100 anos do seu nascimento.

Para os interessados, e já que em Portugal não se fez até à data qualquer referência ao assunto, o programa das comemorações do “100 years of Mcluhan! The global village is now”, pode ser consultado em: http://marshallmcluhan.com e no Twitter em @marshallmcluhan.

J. Martins Lampreia

Consultor/Lobista

Corre um interessante debate na blogoesfera, iniciado por Ângela Guedes, sobre a visibilidade dos assessores e consultores de comunicação. Concordo com praticamente tudo o que tem sido dito sobre esta matéria, pelo Luís Paixão Martins, Luís Spencer Freitas e neste post do semiose.net.

Mas Carlos José Teixeira, nesse mesmo post, discorre para um outro tema que também é recorrentemente abordado, a necessidade da criação de uma “Ordem de Assessores de Comunicação”.

Recorro-me desta passagem:

Sendo a actividade [dos assessores], como digo, influenciadora do comportamento social, creio que deveria ser regulamentada por um código deontológico que, para além dos direitos e deveres dos associados de uma ou outra agremiação, deveria também apontar medidas de punição dos desvarios, contrariamente ao que (não) existe no de Lisboa e, de certa forma, nos restantes. A actividade devia ser regida por uma ‘Ordem’ (ou coisa do género), e não por associações que apenas tratam do corporativismo, de prémios e pouco mais. Esta ‘Ordem’ teria, em princípio, o mesmo tipo de figura legal que outras ordens – a dos médicos, dos engenheiros, etc. – têm, isto é, serem dotadas de uma espécie de direito objectivo (peço desde já desculpas pela designação, haja quem a corrija).

Sobre o primeiro tema, tive o privilégio de integrar o grupo que lançou o Código de Conduta da APCE. Neste código, destinado a todos os que trabalham em gestão da comunicação e relações públicas, está prevista a fiscalização do seu cumprimento que “é exercida, antes de mais, pelos associados da APCE e por quantos estejam em consonância com os princípios nele enunciados, cabendo à Direcção da Associação a responsabilidade da instrução de processos por eventuais infracções e pelo respectivo sancionamento, até à exclusão.”

Para a “eficácia” desta exclusão, ou seja, para que ela resulte numa real sanção pelo prevaricador, será necessária a representatividade da Associação e o seu reconhecimento pelo mercado. É nesse sentido que, como presidente do Conselho Consultivo e de Ética da APCE, tenho a missão de propor à direcção, com o contributo de vários colegas, um modelo de autenticação e credenciação do exercício da profissão.E entramos na segunda questão colocada por cjt.

Sendo ainda prematuro adiantar esse modelo, posso desde já partilhar, com os muitos profissionais que têm vindo a debater o tema, que a figura de “Ordem” será a menos indicada para a profissão. Contrariamente aos exemplos frequentemente apontados dos engenheiros, economistas ou os mais recentes designers, esta é uma prática profissional que reúne (e ainda bem) formações tão díspares como licenciados em comunicação, economistas, arquitectos, juristas, sociólogos ou antropólogos. O caminho será muito provavelmente outro, mas será certamente consentâneo com a realidade da profissão, com as melhores práticas internacionais e com o rigor que uma credenciação exige. É um passo muito importante, está a ser debatido e maturado. Mas vai avançar. O mercado – e a diferenciação de que tanto se fala – assim o exige.

Alea jacta est

A Fonte inicia uma nova fase da sua já longa existência (faz vinte anos no próximo mês de Setembro), associando-se à Next Power, do grupo Flat Marketing. Objectivo: combinar as competências de uma agência nascida na era 1.0 com outra focada nas RP 2.0. A missão desta união será pois oferecer o melhor dos dois mundos em que pessoas e organizações se movimentam.

Agradecemos as palavras de apreço recebidas nas versões 1.0 e 2.0 – telefonemas, sms, e-mails, mensagens no facebook e no twitter. Na blogoesfera, obrigada pelas referências de Rui Calafate, Salvador da Cunha e Luís Paixão Martins.

A sugestão de Salvador para uma marca umbrella, Power Source, seria interessante, não fossem as duas marcas, Fonte e NextPower, manter a sua identidade.

Sinal da vitalidade deste mercado, depois do anúncio da NewSpeak de Luís Villalobos na passada semana, o grupo Lift de Slavador da Cunha anuncia hoje também novos projectos. Não vai ser um ano fácil, mas espero que estes novos projectos ajudam a consolidar a influência e responsabilidade deste sector.

Sinais

O último relatório do Observatório da Comunicação (Obercom) intitulado “Desafios do jornalismo” parece denotar alguma esquizofrenia. Ou, sobretudo, uma enorme falta de âncoras e referências para a profissão. Como disse há não muito tempo, parece-me existir espaço para a criação de uma associação profissional, capaz de responder às novas realidades do jornalismo.

 

Também publicado aqui.

A fechar um ano de grandes (r)evoluções na área da comunicação e das Public Relations, o caso Ensitel trouxe muito food for thought. Que ainda vai alimentar muito artigo em 2011.

Para quem não leu, deixo aqui o meu pequeno texto de opinião na Briefing.

Boas entradas aos nossos leitores, para o ano cá estaremos. Com boas novidades.

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